O processo

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Blog - Indie
- 27/06/2017 12:19:08

Alguns dados e curiosidades sobre o livro do plano Indie.spensável do mês de maio do Clube Da Vinci, O processo em hq.
Associado, não perca o nosso Clube Da Vinci presencial no próximo dia 28 de junho para discutir os livros de ficção, não-ficção e indie de maio.

O livro
O processo é uma adaptação para os quadrinhos do famoso romance de Franz Kafka. Os desenhos são de Chantal Montellier, uma das principais quadrinistas da França. Montellier captura brilhantemente a atmosfera assustadora, mas também o humor da obra de Kafka. O livro conta a história de Joseph K, que é preso sem explicação e forçado a enfrentar um sistema jurídico absurdo. O labirinto no qual ele acaba se perdendo é aquele dá origem ao termo “kafkaniano”. Um retrato da burocracia autoritária, tão atual e relevante hoje quanto quando foi escrito. 

Os autores
Chantal Montellier é um dos mais importantes nomes na história dos quadrinhos franceses nos últimos 50 anos. No início dos anos 1970, ela abandonou sua carreira de pintora e professora de Belas Artes para se tornar quadrinista e ilustradora em publicações radicais de esquerda. Desde então, seu trabalho tem sido publicado tanto em jornais anarquistas quanto em publicações como o Le Monde ou o L’Humanite. Além de ter sido uma das estrelas de revistas célebres como a Metal Hurlant e Charlie Mensuel, foi uma das criadoras do gibi feminista Ah! Nana. Seus quadrinhos têm sido celebrados em grandes exposições tanto em espaços como Centre National de La Bande Dessinée, de Angoulême, quanto no próprio Beaubourg, em Paris. 
David Zane Mairowitz é escritor, dramaturgo e documentarista. Foi um dos criadores da IT (International Times), uma das principais revistas do movimento underground ocidental e que publicou desde beatniks e situacionistas até os quadrinhos de Gilbert Shelton e Robert Crumb. Com este, Mairowitz fez o livro Kafka. Mairowitz é também o autor de uma adaptação de O Processo para o teatro, aclamada pela crítica. 
Mairowitz esteve no Brasil em 2014, como convidado da Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

Palavra do editor - Rogério de Campos
Sou um fã da Chantal Montellier desde os tempos em que ela publicava na revista Metal Hurlant. Ela representou nos quadrinhos franceses algo como o movimento punk: nos tempos nos quais a ficção científica e a fantasia dominavam, ela veio com um realismo firme, agressivo e politizado. 
Já o David Mairowitz me chamou a atenção antes porque foi um dos editores da IT, a pioneira revista do underground europeu, que misturava rock, beatniks, anarco-comunistas com situacionistas (ela deu uma HQ do Raoul Vaneigem em uma das capas!). Para ter uma ideia do que era a revista, o papel do primeiro número foi pago pelo Paul McCartney e o show de lançamento foi com o Soft Machine e o Sid Barrett com o Pink Floyd.