Becos da memória, livro de ficção de setembro

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Blog - Ficção
- 22/11/2018 12:32:11

Inspirado em um conto que Conceição Evaristo ‘escreviveu’ ainda na época do colegial, Becos da memória foi o primeiro livro da autora. Escrito em 1987, demorou vinte anos para ser publicado. A obra é considerada um dos mais importantes romances memorialistas da literatura contemporânea brasileira. Evaristo busca retratar, por meio de vários personagens, a complexidade humana e os sentimentos daqueles que sofrem com o desamparo, o preconceito, a fome e a miséria. 

Becos da memória dialoga com muitas obras da literatura brasileira que tratam de questões sociais. No entanto, apenas nos últimos anos passou a ser lido e comentado pela crítica especializada. Esse movimento está relacionado à recente valorização da produção literária não canônica, que dá voz àqueles que costumavam ser apagados da história. Ao escolhermos esse livro para o plano de ficção do Clube Da Vinci, seguimos nosso objetivo de sugerir leituras que, além de emocionar e impactar, provoquem reflexões. No caso de Becos da memória, podemos observar a presença de características profundas da cultura brasileira, tal como o racismo estrutural, que muitas vezes passa despercebido em nosso cotidiano.  

Conceição Evaristo nasceu em uma favela da zona sul de Belo Horizonte. Teve que conciliar os estudos com o trabalho como empregada doméstica, até concluir o curso Normal, em 1971, já aos 25 anos. Mudou-se então para o Rio de Janeiro, onde passou num concurso público para o magistério e estudou Letras na UFRJ. Na década de 1980, entrou em contato com o Grupo Quilombhoje. Estreou na literatura em 1990, com obras publicadas na série Cadernos Negros, publicada pela organização. É mestre em Literatura Brasileira/PUC–Rio e Doutora em Literatura Comparada/UFF, ganhou o terceiro lugar no Prêmio Jabuti 2015, categoria Contos; e o Prêmio Faz Diferença 2016 de O Globo na categoria Prosa. Alguns de seus livros e contos já estão traduzidos para francês, inglês e alemão.